novelas da minha vida

Não há como se esconder o fato de que brasileiro é um povo noveleiro. Enquanto os britânicos curtem seriados há muito tempo, os americanos ficam com suas soap-operas, nós aqui curtimos uma boa novela. Não só curtimos, acompanhamos e palpitamos, como também exportamos há um bom tempo.

Atualmente o programa parece estar em crise, esta que de certa forma foi causada pela hegemonia de certa emissora. Por outro lado a falta de criatividade é outro aspecto que faz vermos mais do mesmo sempre. Mas não vim aqui criticar as novelas ou analisa-las e sim contar um pouco da relação que tenho com este tipo de show.

Desde sempre ouço minha mãe contar histórias de minhas peripécias quando bem pequena. E novelas me acompanham desde entao. Segundo ela, e inteiramente ela, descobri as tramas diárias quando mal falava. Naquela época o principal sucesso televisivo era Roque Santeiro (oh my God, como estou velha!), e de acordo com as memórias de minha progenitora eu ia a loucura e sacudia meu bundão de fralda como se não houvesse amanhã em meu chiquerinho instalado na sala assim que a música de abertura começava a tocar. E minha empolgação não parava por ai, tinha mais. Minha mãe faz questão de lembrar que cada vez que o galã da novela José Wilker, sim… aquele que o Marcelo Adnet adora e imita tão bem, aparecia na telinha eu ficava suspirando. Vai entender, né?

Minha memória mais remota de novela favorita é de anos depois, e bota anos nisto. A primeira vez que me vi parada como estátua na frente da tela acompanhando com muita atenção uma história e triste a cada fim de capítulo foi em 89, com Top Model. O fato de ter uma história falando do mundo da moda e de modelos me fascinava, mas o que eu gostava mesmo eram as cenas de Gaspar (Nuno Leal Maia), um surfista carioca sangue bom e seus filhos com nomes de gente famosa. E tenho que dizer torci muito para que o casal (fraco) formado por Duda (Malu Madder em todo o seu esplendor) e Lucas (Taumaturgo Ferreira, sim ele era o galã, bom-moço incompreendido da novela) conseguissem ficar juntos. E tem mais, até hoje eu simplesmente amo “Oceano” do Djavan, tema do casal 20 da novela.

Outra trama que marcou muito a minha vida, e mais ainda a da Maria, foi Mico Preto. Tarcisião como Detetive Arapongas me fazia rir demais. Eu e meu irmão nos divertíamos tanto com suas histórias e gostávamos tanto dos personagens, que quando ele foi escolhido para batizar o baby que estava por vir, deixou o lado racional de lado e escolheu Claudia, nome da personagem vivida por Louise Cardoso no folhetim.

Depois disto assisti muita coisa, de algumas novelas gostei bastante, como Vamp, Quatro Por Quatro, Cara Ou Coroa, outras passaram batido, e por conta destas histórias fui uma assídua consumidora de LPs e CDs com as trilhas sonoras por anos.

Com o passar do tempo tudo foi ficando repetido demais, a inspiração dos escritores foi se esvaindo e o nível da atuação foi seguindo o mesmo rumo. Hoje em dia, se começo a me interessar por alguma trama dessas é só quando ela se encaminha para o final, quando tudo está praticamente resolvido e as coisas acontecem de verdade.

Mas não posso deixar de citar a novela que atualmente está sendo reprisada no famoso Vale A Pena Ver De Novo (esse nome, pelamore), Alma Gemêa. A princípio a história em que um homem viuvo reencontra seu verdadeiro amor que reencarnou em uma india não me atraíu nem um pouco. Só me vi envolvida com ela quando já estava se aproximando do final, ocasião que casou com as minhas férias. Isso somado ao fato que tenho duas noveleiras em casa fez com que eu virasse expert na história de amor desencontrado entre Rafael (Du Moscovis) e Serena (Priscila Fantin), mas ela me marcou mesmo, pois sua música de abertura é a primeira lembrança que tenho depois do acidente que sofri há três anos.

Para quem não sabe, em fevereiro de 2006 fui atropelada por um motoqueiro. O trauma foi grande o bastante para eu não lembrar do que e como tudo aconteceu. Fiquei inconsciente por um certo tempo, mas depois de já estar acordada por algum tempo, só recobrei a consciência de verdade quando estava na sala de raio-x, tirando mais uma série radiografias, sendo amparada pelo meu namorado e comecei a ouvir de fundo uma melodia muito familiar.
Quando parei para me concentrar, ouvi meu namorado falando:

– Ta ouvindo? Ta começando a sua novela!

Pensando em tudo o que aconteceu é bem surreal compreender que a voz do Fábio Jr. foi meu wake up call. De repente eu acordei de fato, voltei a falar coisas que faziam sentido e comecei a entender o que estava acontecendo. E aí vejo como é engraçado as formas que encontramos para nos conectar com o mundo, né?

Passado o susto inicial, a cirurgia e o fim da novela, Alma Gemêa começou a me assombrar. Isto porque durante minha recuperação, a Maria querida decidiu cantar para mim “India Seus Cabelos” todo santo dia, na hora em que me ajudava a tomar banho. Segundo ela foi a maneira que encontrou para se vingar, por eu ter assustado todo mundo daquele jeito e segundo, e te-la feito perder o tão esperado casamento entre Rafael e Serena.

Cada coisa que eu tenho de ouvir, que só pode acontecer em novela… ou não!

8 comentários sobre “novelas da minha vida

  1. Thais disse:

    Meu…duas coisas a comentar:
    EIII…REVISTAS DE TODO O MUNDO…JORNAIS DE TODO O PLANETA….ESTÁ AQUI UMA COLUNISTA PERFEITA!!!rsrs
    Vc escreve bem demais…adoro ler o seu blog!

    Segundo….cara…hilário!!Ameiiiii!!!Quer dizer q vc tb gostava de Roque Santeiro??Minha mãe me coloca xuquinhas no cabelo e eu tinha várias pulseiras pra ficar balançando q nem o Sinhozinho Malta..haahaha
    bjos, te amo!

    • paulinha mihuda disse:

      Hahaha… brigada querida, adorei seus elogios e comentarios!!!

      Xuquinhas, eu também tinha destas… pior que meu cabelo ja queria formar cachinhos naquela época, então eu sofria um pouco!!!
      te amo também…beijocas

  2. Nessa. disse:

    Não sabia do acidente, Flor!!
    E que lindo o coments do seu namorado!!! =)
    Confesso que chorei. Eu sou muito romantiquinha, sabe…
    E confesso que eu adoro as musicas que o Peninha escreve, apesar de mtos falarem que eh brega. huahuahuahua.
    Sobre novelas, concordo contigo. Fui perdendo a graça em ve-las, em especial, depois que minha companheira de novelas se foi.

    Beijo grande, Flor!!

    • paulinha mihuda disse:

      Nem me fala Van, ele segurou uma sra. barra nesta época!
      Na verdade o povo todo aqui em csa segurou!
      Ah, que linda você… Admito que na hora que eu escrevi também rolou umas lágrimas.
      Mas é isso aí, coisas bregas também fazem parte de nós.
      beijinhos

  3. Maria disse:

    Olha só, já naquela época tinhamos o Fabio Jr. em nossas vidas, Maktub! Realmente você me fez perder o casamento da Serena com o Rafael, mas como eu sempre detestei os dois eu te perdoô. Você esquecer de mencionar clássicos como O Cravo e a Rosa (AMO) e Chocolate com Pimenta, como pode???!!! Quatro Por Quatro, adorava a Babaloo!!!

    • paulinha mihuda disse:

      É, verdade Adriana Esteves como Catarina estava incrível, assim como a Drica Moraes como malvada!
      Já Chocolate Com Pimenta não é tudo isso…
      Gente, como somos noveleiras! Dá até medo! Hahaha

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