novas diretrizes…

Aproveitando a edição deste ano do Projeta Brasil fui correndo ao cinema ver se conseguia ver um dos filmes brasileiros que eu queria assistir quando estava em cartaz, mas meu bolso não teve condições de bancar, afinal cinema hoje em dia é passatempo de rico.

A lista era grandinha e tinha filmes como:
Jean Charles, de Henrique Goldman
Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas, de José Alvarenga Jr.
O Contador de Histórias, de Luiz Villaça
O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes, de Walbercy Ribas e Rafael Ribas
Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, de Claudio Manoel
Surf Adventures 2 – A Busca Continua, de Roberto Moura

Dentre eles, um se destacava, este era Tempos de Paz, do Daniel Filho. Fiquei sabendo sobre o filme quando ouvi uma entrevista dada pelo Dan Stulbach, personagem principal do filme e achei que ele valia a pena. E eis que o destino deu uma mãozinha e fez com que ele estivesse passando em um cinema perto de mim e em um horário descente. Então na hora de escolher não teve mistério, a seguir minhas impressões sobre o filme.

A experiência…
Por ter uma família tipicamente brasileira, aonde cada pinguinho dos meus genes veio de uma parte diferente do mundo e se encontrou aqui no Brasil em busca de uma nova vida, filmes como Tempos de Paz parecem pegar mais forte no meu coração.

Muita burrada já foi feita na história da humanidade, atitudes e ações hediondas que envolveram vidas de muita gente, marcaram fortemente suas almas. Situações que no pensamento reprovamos sabiamente, mas continuam acontecendo se repetindo por todos os lados, de forma declarada ou não. Sim, é de guerra que estou falando.

Assim como muitas pessoa, não aguento mais filmes que trazem o nazismo como tema principal. Cansei de ver dramas repetidos, que ficam reabrindo feridas. Sou a favor do aprendizado, mas nunca da auto-tortura e Tempos de Paz vai além disto. Começa contando a vinda de um polonês que busca no Brasil abrigo de suas lembranças de guerra, um homem apaixonado pelo nosso idioma que sonha com um Brasil que não existe.

Também conta a história de um país que não é tão bonito quanto sua natureza, onde, assim como em todo lugar do mundo, maldades são feitas, e que seus carrascos como todo ser humano tem coração. Fato difícil de ser entendido por mim, pessoa que carrega no sangue fortes marcas da violência de uma ditadura.

Um filme que nos faz ver o quanto a vida seria mais simples se pudéssemos pintar o mundo de preto e branco e dividir as pessoas em mocinhos e bandidos, mas que não há como fugir da realidade – que é composta de 265 tons de cinza – e aí fica a cargo de cada um tentar escolher o tom que mais convém, ou então lidar com o tom que foi escolhido por outros para você.

Os atores e suas interpretações…
Cresci vendo Tony Ramos na televisão, e apesar de eu amar este tipo de entretenimento, as atuações das novelas tem de ser comedidas o que na maioria das vezes faz com que o ator fique preso. E acho que apos tanto tempo de trabalho, foi bem isto que aconteceu com ele. Assim mesmo tendo muita simpatia por ele, sinto que entra e sai novela ele sempre é a mesma pessoa, mas não estou aqui para ficar achando razoes para isto.

E para a minha grande surpresa em Tempos de Paz essa imagem dele vai desaparecendo de acordo com o passar do filme, no qual ele vai se transformando em Segismund. Fazendo com que não haja um pingo de Opash de Caminho das Índias, o grego “faizfavorZulia” de Belíssima, muito menos Juca de A Próxima Vítima. Apenas o Segismund, um homem que vê os fantasmas de seu passado bater em sua porta e não sabe como lidar com isto.

Já Dan Stulbach é Clausewitz do começo ao fim. De um jeito tão simples e verdadeiro, com sotaque perfeito e uma esperança nos olhos que ganha qualquer um. Ano passado acompanhei ele em Queridos Amigos, quando viveu Léo. Este ano vi se transformar em Ricardo Silva, o “malvado” de araque mais legal da televisão, em Som & Fúria. E com Clausewitz me conquistou totalmente, e virou um dos meus atores favoritos.

A história do filme…
Fui ao cinema sabendo praticamente tudo o que ia ver na tela e diversas semelhanças com vivências familiares me fez passar boa parte dele com os olhos cheios de lágrimas. Mas as atuações foram o que fizeram elas caírem. Apesar de parecer um filme triste, seu humor é tão verdadeiro e leve que faz você sair do cinema esperançoso do mundo e não culpado por tudo de ruim que acontece nele.

O roteiro foi inspirado na peça de teatro Novas Diretrizes para Tempos de Paz na qual os dois haviam atuado junto, e pela qual foram premiados. E acho que isto foi o que fez com que tudo ficasse tão bonito de ver na tela. Onde cada um mostrou entender tão bem quem era que faz se ter tanto gosto em ver.

Filme que recomendo para os amantes de cinema, para quem gosta de histórias humanas, de teatro e principalmente da vida
real, com seus bons e maus momentos. E aproveito para avisar, se você tem o coração mole como o meu, não esqueça seu lencinho.

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Um comentário sobre “novas diretrizes…

  1. Maria disse:

    Acho que uma das melhores coisas desse filme é que não é um filme tipicamente brasileiro, que se divide em três gêneros. Comédia pastelão, violência na favela e Xuxa e os duendes.
    E sempre um alivio ver um filme brasileiro que não cai em uma dessas categorias. Agora eu vou é trabalhar, porque o Brasil prescisa de braços para a sua lavoura!

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