histórias para um livro em uma semana

Cap.3 – A viagem (parte 2): Na praia
Meu maior medo nesta viagem não foi o do tempo chuvoso, apesar de que não me parecia uma boa ideia ficar presa em casa. O que eu mais temia era que meus dias de descanso na praia fossem iniciados comigo sendo acordada exatamente como em todos os finais de semana, isto é, cedo pra burro com alguém gritando em minha janela – lembrete que a voz que me acorda é bizarra.

Felizmente isto não aconteceu, assim como o clima me manteve prisioneira. Pelo contrario, acordei por livre e espontânea vontade, que convenhamos é a melhor forma para se garantir um bom dia. Engoli a não-vontade de vestir roupas de banho e fui ver o mar assim que o estomago foi alimentado e as medidas de proteção solar foram devidamente tomadas.

Além de fazer um senhor tempo que eu não colocava meus olhos no mar, também havia dias em que não tinha um dia tão bonito. Solzinho esquentando as partes do corpo descobertas e água fresquinha nos pés. Andei por horas na beira do mar, gastei a língua também. Aproveitei para captar momentos e perceber como coisas simples conseguem fazer a diferença. Pela primeira vez me vi completamente consciente de como a beleza é importante na vida. Ver uma paisagem bonita é um exercício incrível para combater o stress. A inspiração pode vir de muitos lugares, mas uma de suas principais fontes é o belo. Pelo menos no meu caso. Alguns podem chamar de futilidade, eu chamo de natural. Afinal natureza é beleza.

Moving on e deixando o papo de Hippie para traz.
Com esse sentimento de tranquilidade e após um bom churrasco me rendi a soneca da tarde, que, é claro, alguém tinha de estragar. Ao mesmo tempo em que praia significa paz de espírito la também encontramos os maiores babacas. Normalmente eles estão munidos de aparelhos de som potentes e um gosto musical que ultrapassou o duvidoso há séculos.

Me recusei a deixar tudo de bom que havia conquistado até aquele momento ir embora e insisti no dormir apesar de ter como trilha sonora Calcinha Preta e após uma hora e meia bem dormida o corpo não aguentou a tortura externa e fui obrigada acordar ao som de mais um sucesso do Cãozinho dos Teclados. Nesta hora praguejei para Deus pela décima vez no dia e acho que só de vingança ele fez o vizinho esperar até que eu estivesse acordada para desligar a maldita música. Som desligado e bom humor de volta, fiz um breve passeio pela minima cidade e jantei a melhor pizza de todos os tempos. Fui para casa feliz fazer a digestão enquanto via um filme daqueles que vergonha alheia chega a quase doer e esperar o sono chegar.

Depois de mais uma noite otimamente dormida acordei feliz e pronta para tirar a cor de doença que a cada ano que passa parece se instalar mais em mim. Acho que preciso de um mês tomando sol todos os dias na praia para voltar a ter aquela corzinha de pessoa saudável, e que me fazia parecer uma indiazinha quando pequena.

Então que São Pedro acabou com a minha festa. Com um céu branco de doer os olhos e um mormaço fraquinho o domingo o céu feio veio e levou e minha animação ao nível do joelho. Depois do café resolvi que não ia me render, enfrentei o tempo carrancudo e andei muito mais do que no dia anterior. Fui de lado a lado da praia e cansei, mas aquele cansaço bom. E com um peixinho delicioso de almoço e sorvete de sobremesa tava pronta para mais uma soneca da tarde, para ai sim encarar a nada esperada viagem de volta.

marmarparede

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