entrevista do mês: victor

O Victor, ou melhor, o Vitinho  entrou na minha vida praticamente de para-quedas, por conta de um amigo em comum.

Antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente já tinha escutado muitas histórias sobre ele, pessoa que posso facilmente descrever como uma figura. Carismático, me conquistou na hora com sua “paixão” pelo Bob Esponja e seu jeito engraçado de ser. Um daqueles seres sensíveis o bastante para saber a hora de fazer graça e falar sério. Foi um dos responsáveis por esta série de entrevistas, que vem me fazendo descobrir coisas que não imaginava dos escolhidos.

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Nome completo: Victor Eduardo Steiner
Nome artístico ou a.k.a: para os amigos Vivi, (acho meio gay…); na faculdade Margot (é gay e meio… coisas do trote); no trabalho Prof. Victor/Steiner (não, não sou gay!)
Data de Nascimento: 22/04/1983
Onde Nasceu/ Mora: São Paulo, Capital – Santo Amaro e Lapa (pais separados)
Profissão/Ocupação: estudante de História USP (2006 – 2010 eu acho); professor do Cursinho da Poli-USP (2006- atual); pesquisador bolsista da Fapesp (proc. 08/56182-9) Santos Demoníacos – A Tipologia Das Orações Mágicas Na América Portuguesa (séc. XVI –XVIII)”; integrante do Projeto Temático Internacional (Fapesp: 04/10367-0) Dimensões do Império Português – Investigação Sobre As Estruturas E Dinâmicas Do Antigo Sistema Colonial.

– Gosto pessoal…
Música…
Estilo de Música: grunge, neo-grunge, mpb, Beatles e um popzinho sussa para relaxar
Artista: Renato Russo
Banda: Pearl Jam
Música-Tema: “Getting Better” dos Beatles
Última canção que ouviu? “Getting Better”, to ouvindo agora

Cinema…
Estilo de Filme: cabeçudo, ação
Filme: Efeito Borboleta, Donnie Darko
Ator/Atriz: Thays Gorga (sim, é propaganda…)
Diretor: Algum dos dois filmes citados acima. Não sou filólogo ao ponto de decorar nome de diretores.
Último que assistiu? Cidade dos Anjos, na TV, ontem, clássico.

Televisão…
Estilo de programa: humor, sitcom ou desenho animado
Programa: Family Guy, piadas mais adultas que Simpsons
Personagem / Apresentador: Bob Esponja – não o culpem por ser feliz!
Último que viu? Padrinhos Mágicos – Hei! Eu assisto TV no café-da-manhã, só tem desenho…

Livro…
Estilo de livro: Puxa, leio vários de História. Queria ler uma boa ficção de época ou fantástica (steampunk ou medieval fantástico)
Livro: Feliz Ano Velho, do Marcelo Rubens Paiva
Personagem: Puxa, os últimos dez livros que li não tinham personagem…
Autor: Nenhum me cativou a esse ponto
Último que leu? Bruxaria E Superstição Num País Sem “Caça Às Bruxas”. 1600-1774 -José Pedro Paiva. Na verdade os últimos foram relacionados a esse tema.

Geral…
Cor: verde
Estação do Ano: inverno
Local Favorito: Meu quarto. Sim meio adolescente ou a facu. Os dois tem de tudo.
Algo que adora fazer? Aprender coisas. Agora estou em flautas transversais e jardinagem exótica.

– Perguntas Gerais
O que sonhava em ser quando criança?
Acho que não tinha uma “profissão dos sonhos”. Queria ser feliz (ainda quero), mas no colegial, eu sabia que não queria ser professor. Pois é, a vida da voltas… Sempre gostei de desenhar, mas não me considero bom o bastante para ganhar dinheiro com isso.

Quando “decidiu” sua profissão? Por quê?
Humm… Acho que foi quando eu larguei a outra facu (Propaganda e Marketing na ESPM) e fugi de casa. Sempre gostei de ensinar. Meus tios são professores e acho que rolou alguma influência. E também os professores de história no cursinho eram muito bons. Mas a decisão só bateu depois que dei a minha primeira aula, lá em Marília. Deu tudo errado e depois meu amigo Guilherme, que dava aulas no cursinho de lá, perguntou: “E ai? Você acha que é isso que você quer fazer na sua vida?”. Pensei um pouco, ainda traumatizado da aula, e falei: “… é… eu acho que sim.”. As primeiras aulas no cursinho da Poli-USP foram bem melhores. Duas lembranças que guardo: quando eu tava fazendo palhaçada na frente da turma e uma aluna caiu no chão de tanto dar risada. E quando um aluno falou que não gostava de história e passou a gostar e entender depois das minhas aulas. Acho legal o carinho dos aluninhos…

O que os pais/família acharam da decisão?
Putz. Ninguém quer um filho historiador, principalmente quando eu ia “ganhar dinheiro” nas agências de publicidade. Minha mãe ainda fala que eu devia ser juiz. Só fui contar para os meus pais que estava dando aula no cursinho depois de quase dois meses. Não sabia qual seria a reação deles e nem se eu ia aguentar. Mas depois de tudo que passei, de ir contra tudo, ao ponto de fugir de casa minha família, mesmo um pouco contra ou com receio das minhas decisões, me deu apoio. Tá certo que ainda acho que o meu pai quer que eu dê aula em Harvard ou algo assim, mas o importante é que sei o que eu quero, e que mesmo sem apoio deles, iria atrás. Acho que vai para aquela velha frase: “eu só quero te ver feliz filho e papai vai sempre te apoiar”. Dois momentos importantes: quando os meus tios, Carlos e Nely, ambos professores, me deram um jaleco e uma cartinha: “Professor é aquele que ensina, mas nunca para de aprender. – Estamos orgulhosos – Carlos e Nely”. A carta ta no mural em cima da minha cama. E também, quando a “Dona” Sula, minha madrasta, chorou ao saber que eu tinha conseguido a bolsa da Fapesp, para a minha Iniciação Científica, e falou: “Eu sei o quanto você lutou por isso, não foi fácil… Parabéns”.

Quem admira em sua área de trabalho?
Caramba! Como pesquisador tem um monte de professor da faculdade fodolísticos que estudam pra c…, sabem umas seis línguas, escreveram toneladas de livros e são gente boa: Laura de Mello e Souza (minha orientadora), Adone Agnolin, Cristina Wissenbach e “Carlinhos” Roberto F. Nogueira. Como professor, ensinar é uma arte é feita com prazer e não vejo como um trabalho e acho que os professores Daily (História) e o Abe (Biologia) ambos do Objetivo transmitem isso, exemplos de paixão e dedicação no ensino. São ótimos e respeitados pelos alunos.

Na vida pessoal possuí alguém que seja um exemplo para você?
Os meus exemplos são as pessoas que são felizes, aqueles que conseguiram sair do “grande fluxo”, que seguem o seu ritmo, o seu caminho, margeando a sociedade, que são esclarecidas e felizes. Meus tios Carlos e Nely; Orlando e Terume: a vida tem altos e baixos, eles são exemplos de amor, respeito, admiração e humor, elementos essenciais na vida de um casal. A mãe do Gordo (Lucas) “Mamãe Ruth”: O respeito ao livre arbítrio, a paciência e a “mágica” certeza que tudo vai dar certo, pois o universo é sábio. E o terapeuta holístico Zé Renato: Cara, a vida é MUITO mais do que você imagina… ela é maravilhosa, e você nem faz idéia.

– Questões Específicas
Qual é o período da história que mais te fascina? Por quê?
Acho que o fim da Idade Média, o famoso “Renascimento”, sec. XIV – XVIII para ser mais exato. Creio que seja o fim da infância do Homem, o surgimento do racionalismo, do cientificismo, o fim da magia, rebaixada à superstição. A separação cartesiana do corpo e espírito (cogito, ergo sum), a arrogante supremacia do Homem frente a natureza, fundamentação da Sociedade Contemporânea. Se somos o que somos e pensamos o que pensamos, é por causa dos grande Pensadores. Não sei o quanto acertamos ou erramos nessas escolhas.

Canais da TV fechada, como Discovery e principalmente o History Channel contam com programas baseados em fatos do passado, distantes ou não. Você diria que esse tipo de programa é um bom instrumento para disseminar a história entre as pessoas?
É o velho dilema: o meio de comunicação em massa tem essa função (massificar), de certo ponto, é bom disseminar o conhecimento, mas a questão é que tipo e qualidade de conhecimento. A verdade: a História existe para ratificar a sociedade, a educação é feita com um propósito. Explico: você só aprende o que te ensinam, o que é passado para as massas tem uma intenção. A história da fundação de Roma (aquela zoofilia pederasta de Rômulo, Remo e a Loba) foi escrita na formação do Império, feita para justificar a expansão. Na época de Mussolini (ditadura fascista) a ordem era restaurar as construções clássicas para exaltar e resgatar o Império Romano; e a maioria das construções Medievais foram derrubadas. Oras, elas também não faziam parte da História? Nos livros de História no ensino médio vemos a história da Europa, o seu começo na Grécia (única vez que a Macedônia e companhia fazem parte do Ocidente) vemos a histórias dos reis e governantes, a luta da classe comerciante (maravilhoso comércio, tirou o homem das trevas e livrou-nos dos tiranos), mas especificamente da burguesia, e finalmente a história da Igreja Católica, cruzadas, reforma e contra reforma, etc. Por quê? Vivemos em uma sociedade Européia, Ocidental, Burguesa e Católica. Desde pequenos sabemos que esse é o certo, pois sempre foi assim, e se não foi, era ruim. Queremos mudar a sociedade ou não? Educamos o povo, com a nossa educação, com o que achamos o certo, não queremos opiniões contrárias. Que tipo de História estão ensinando? Não digo que tenha O Capital por trás disso, mas é o caminho que a sociedade foi tomando, pela decisão de milhares de pessoas ao longo do tempo. Hoje me dia, temos a proliferação de Faculdades Técnicas de Faculdades que “te preparam para o mercado”, de cursos de dois anos, ou quatro, onde você sai com cinco diplomas. O motivo? Não há mão-de-obra qualificada, na verdade, o “mercado” (empresa) não sabe definir o “quanto” de qualificação quer, e pegam o mais qualificado. Assim, precisamos cada vez mais de diplomas. Não seria melhor arrumar o ensino básico? Para ser secretária precisa ser Bacharel? Precisa estudar quatro anos na faculdade, Secretariado PUC, por exemplo? É igual a um curso de Letras, Medicina, Biologia? Tem pesquisa? Acho que estamos focando o esforço no lugar errado.

Na sua opinião, há algum momento na história do mundo que até hoje é muito falado, mas que sua importância real não é tão grande quanto a polêmica que o envolve?
Acho que isso vale para qualquer área, o conhecimento, o que é ensinado só é de valia para quem quer, quem busca. Respondendo a pergunta, acho que o Nazismo e toda a questão da raça ariana, anti-semitismo e holocausto. Não foi uma monstruosidade na época. As pessoas esquecem que naquele tempo esse era o pensamento difundido, Hitler não inventou nada. Se formos ver temos vários pensadores respeitados por isso. Anti-semitismo, Gobineau, Chamberlain e Wagner. Pangermanismo, Wagner. Neo pangermanismo: Rosemberg. Expansionismo: Ratzel. Estado Forte: Spengler; III Reich, Van der Buck. No século XIX tínhamos Darwin aplicado à sociedade. Artur Gobineau escreveu em 1853 o Ensaio Da Desigualdade Das Raças Humanas. Tínhamos o Neo colonialismo e era algo comum! O anti-semitismo vem da Idade Média. Ele não é o fim do mundo é só uma época diferente com um pensamento diferente. Agora podemos achar terrível, mas não culpar o pessoal da época por não ver a “verdade”.

No colégio a história é dividida em duas “frentes”, a geral e a do Brasil. Se tivesse de escolher entre ambas para saber e só ela, qual seria?
Fácil, História Geral. É o que eu gosto e a frente que leciono (pois “dar” é coisa de baitola). Não se compara a História do Mundo (Europeu, Ocidental, Capitalista, Burguês e Católico) com a do Brasil! Abstraindo um pouco, como você imagina que as pessoas verão os dias de hoje?
No futuro? Veriam hoje como uma época de transição, a passagem, o fim de um Império. Alguns historiadores já falam que 11 de Setembro é o marco. O mundo está ficando muito mais “verde” ou mudamos, ou acabamos com tudo. Se existir um futuro, hoje é a construção dele.

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Entrevista feita em 15/02/2009

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Série Entrevistas – Entrevistados Anteriores:
– Fevereiro: Filip
– Março: Thiago
– Abril: Vanessa

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