vizinhos – o fim

A última mudança aconteceu há uns bons anos, quando voltamos para a casa que era da minha tia após ela falecer. De um lado, Seo Alfredo e Da.Jamile continuavam firmes e fortes. Do outro, bom… Houve a Michele e sua família, que consistia em sua mãe, uma irma mais velha, o salsicha Nick e às vezes o Mô, seu namorado, a quem eu fingia não conhecer de uma loja na qual comprei roupas por diversas vezes. Digamos que esta fase foi meio negra. Michele era minha vizinha direta, já que morava no quarto que fica parede-a-parede com o meu. Vendo hoje, acho que disputávamos um pouco a paciência da vizinhança. Ela gostava de passar as tardes cantando apenas os finais de versos de músicas que iam do sertanejo, passando pelo funk e chegando ao axé com sua voz de gralha. Enquanto eu viajava por estilos como o pop de Christina Aguilera, o romântico de Celine Dion, passando pelo rock meio industrial do Garbage, andando pelo grunge do Pearl Jam até chegar a um Metallica ou coisa que o valha. Mas a disputa não ficava apenas entre nós, porque o Nick também gostava de participar, mas escolhia horários desgraçados para latir e deixar a vizinhança toda acordada.

Falando em barulho, digamos que Michele e companhia adoravam receber em casa. As festanças dadas pelas vizinhas costumavam ir até tarde da noite e por vezes, assim como o cachorro, tiraram o sono das pessoas ao redor. E não adiantava pedir educadamente para que diminuíssem o volume já que no dia seguinte o povo tinha de acordar cedo fosse para estudar ou trabalhar. Mas a gota d’água se deu quando, pouco tempo após Pedro – o gato, chegar em minha casa, quando ele foi encontrado agarrado nas grades da janela da casa da Michele, totalmente desnorteado e desesperado após uma busca que durou horas. Acontece que o bichano, que na época tinha um ano, havia crescido em um apartamento onde nunca tinha tido a chance de andar livremente e em seu primeiro passeio deu de cara com o “super” Nick e se desesperou. A gentil família optou por ignorar nossos chamados pelo gato e decidiu não avisar que haviam pego ele e colocado em sua garagem. Depois disso, as relações que já não eram das boas foram totalmente cortadas. Se quer ser mal-educado a gente até ignora, mas ruim com um animal, aí entra direto pra minha lista negra.

Thank God a situação não perdurou muito e poucos meses depois a casa ficou vazia. Isso também não foi por muito tempo. Os novos moradores são legais e já estão lá há alguns anos. Agora sou vizinha da Tereza e sua família, com quem até hoje não tivemos grandes encrencas.

Mas como o Universo gosta de se divertir a nossas custas o tempo de calmaria recentemente teve seu final decretado. Ano passado a casa que fica atrás da minha foi colocada a venda e este ano saiu do mercado. Primeiro foram as batidas e barulhos comuns de local em reforma, que começavam as sete da manhã. Mas como reformas são temporárias a gente passa um pano, porque como visto no passado, um mal começo com vizinho pode significar dor de cabeça por longos meses. O problema maior é que junto com a reforma rolca todas as manhãs uma “rave” na qual os pedreiros optaram pela música eletrônica ao invés do popular sertanejo ou pagode, para trilha sonora de seu trabalho. Aparentemente o irmão da Tereza preferiu não esperar e mandou um recado em alto e bom som em uma das manhãs quando os homens curtiam uns putz-putz de manhãzinha. Apesar de minha política de boa vizinhança, tenho que dizer que o ato dele foi um alento a meu coração. O bom é que após o segundo panelaço dele (ele realmente fez como os argentinos e exigiu o direito de dormir batendo panela) seu pedido foi atendido e as “raves” matinais tiveram fim.

O pior é que isto não é tudo. Quando achei que a paz voltaria a reinar, eis uma nova situação. Ainda não cheguei a conhecer as pessoas de fato, mas digo que eles estão provando que a casa tem uma acústica incrível. Falo isto porque durante todo o tempo em que vivo lá mal se percebia o antigo casal que morava lá ou seus rotweillers.O tempo passou e a reforma acabou, mas o som foi amplificado. Atualmente minha rotina semanal é acordar entre seis e meia, sete horas da manhã, mas não por achar isso uma prática saudável. Na verdade, diariamente tenho meu coração testado quando levanto no susto achando que o mundo está acabando, tudo por conta dos berros estridentes vindos da casa de trás. Pelo o que deu para perceber os novos moradores se tratam de um casal, que creio eu não serem espancadores de crianças, mas que não são muito bons na hora de controlar os dois filhos pequenos – um menino e uma menina. O ser responsável pelos tals gritos aparentemente é a menininha que, pasmem, também se chama Paula. Isto é, se não fosse o bastante acordar por conta dos berros da garota toda santa-manhã, ainda tem uma mãe histérica que me “persegue” e passa horas berrando o MEU nome.

Me pergunto se Deus não poderia me dizer de cara qual o meu karma, pra eu conseguir encontrar uma forma de paga-lo e voltar a viver em paz… Sabe, a vida fica um pouquinho mais triste quando se acorda todo dia pensando que a Super-Nanny é a única que pode te salvar.

2 comentários sobre “vizinhos – o fim

  1. muta disse:

    hahaha, eu já fiz panelaço por conta de vizinhos barulhentos… ok, eu era pequeno e usei uma bacia de alumínio gigante que a minha avó tinha e uma réplica de plástico da espada do he-man como baquetas…

    mas que eles não dormiram bem naquela manhã, ah eles não dormiram. :D

    • paulinha mihuda disse:

      Quem diria, Sr. Muta um arruaceiro de primeira? Espada do He-Man? Incrivel, meu irmao tambem usava a dele para batucar em tudo que visse na frente. Adorava fingir que o sofa era uma bateria!

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