vizinhos – parte II

Quando eu tinha cerca de quatro anos tivemos de nos mudar e fomos para uma nova casa. Em um no novo bairro onde fiz novos amigos e quando vi já tinha um grupinho. Do lado de casa morava a Daniela e seu irmão Marcelinho e em uma das casas em frente, a Flavinha. Daniela era um ano mais velha que eu e tinha o péssimo habito de mentir, razão pela qual um dia ela protagonizou sua própria versão do conto Pedro e O Lobo. Marcelinho era mais novo e por ser menino muito mais próximo de meu irmão. Flavinha era um ano mais nova que eu e por algum motivo tinha suas richas com Daniela o que me fazia ficar um tanto dividida. Mas apesar das intriguinhas ocasionais nos divertíamos muito juntos. Todo final de semana havia um rodízio de casa, assim nosso QG era “móvel”. E a alegria era geral quando havia sol e podíamos nos deleitar com a regan que ficava no quintal, tanto meu quanto da Daniela.

Então veio a grande mudança para o Paraná. Saímos de uma metrópole para ir morar ao lado das vacas, literalmente falando. Maringa é uma cidade “civilizada” mas naqueles tempos tinha bairros distantes do centro e, claro que fui morar em um deles. A princípio rolou uma certa revolta. Tudo era diferente demais. Desde o cheiro do lugar, mata para todos os lados, até a cor que os pés ficavam ao passear sem chinelos. A adaptação foi bem complicada, principalmente pelo fato da vizinhança (na minha faixa etária) ser praticamente masculina.

Lembro-me de poucos vizinhos. De um lado tínhamos uma família que a principio parecia legal, mas os garotos, dois irmãos um pouco mais velhos que eu se mostraram sendo os bullies do quarteirão. E não pareceram apreciar o fato de termos vindo de um lugar totalmente diferente, sabermos brincadeiras diferentes e coisa e tal. Nem preciso dizer que a conselhos dos pais foi para que eu e meu irmão tomamos distancia de tais encrenqueiros. E isso só fez com que eles aguardassem com paciência a hora em que saímos de casa para brincar e dar inicio a provocação.

Um certo tempo depois dessa mudança descobri que existia uma casa atrás da minha, que ficava além da Mata-Atlântica que tomava conta do terreno gigantesco que tínhamos como quintal e era separado da casa por um portãozinho baixo. Lá vivia o Newman que logo foi com a cara de meu irmão, e sua irmã, pequena de mais para brincar com a gente. Em frente era a casa dos polacos. Pelo menos era assim que a família do Rodriguinho era conhecida. Ele e sua irmã Rafaela, quase um bebe naqueles tempos, tinham aquele cabelo loiro quase branco que brilhava o tempo todo acompanhado de olhos azuis. Apesar de estarmos no sul do País, eles se destacavam entre as pessoas de lá. Daniel não demorou nada ficar amigo do Rodriguinho, que continuou frequentando nossa casa após termos nos mudado do meio do mato para um bairro mais central da cidade. Me dava bem com ele e com a escassez de meninas por perto levava numa boa o fato de ter de brincar de lutinha com os dois. Até porque mesmo sendo magrela e pequena, eu sempre vencia os dois.

Uma das coisas mais memoráveis dessa época era a capacidade que o Rodriguinho tinha de “inventar” palavras, com aspas porque não sei dizer ao certo se todas eram coisa dele ou que ele aprendeu de alguém. O fato é que vivendo em Maringá tive quase de aprender um dialeto (coisa que deixo para outro dia). A palavra que mais me marcou das perolas que o menino falava foi lanchila, que segundo ele era a mochila na qual ele levava o lanche.

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