vizinhos – o princípio

vizinho
adj.
1. Próximo, que está perto.
2. Contíguo; limítrofe.
3. Confinante; análogo; semelhante; não afastado (parente).
s. m.
4. Cada um dos habitantes de uma povoação.
5. Morador; aquele que habita perto de nós.

Independente do que um dicionário possa dizer, para mim vizinhos são figuras estranhas, por mais normais que eles sejam e acho que não sou só eu que acho isto. Não me recordo dos primeiros vizinhos que tive, mas minha mãe conta histórias desta época e sempre disse que eles não eram nada bonzinhos. Fui a primeira cria em casa, então podemos me considerar a cobaia de pais de primeira viagem. Até aí, não posso reclamar, pois não me tenho nenhum grande trauma que possa culpá-los por, ao menos que me lembre. Mas acho que os vizinhos da época em que tinha meses de vida de alguma forma me marcaram.

Segundo minha mãe, fui a mais chorona dos três filhos, mas certa parte dessas choradeiras aconteciam após as 22h. O motivo era bem simples. Este era o horário em que os moradores do apertamento de cima resolviam brincar de bolinhas de gude. Não me entenda mal, sou totalmente a favor de brincadeiras desse gênero, apesar de amar coisas tecnológicas. Mas acho que realmente não devia ser nada gostoso para um bebê sentir que o teto ia cair na cabeça durante a hora do soninho. Ou ainda, coisas estranhas aconteciam a uma certa hora e não era agradável. Não sei dizer quanta dor de cabeça este costume durou, o bom é que um dia nos mudamos.

Desta vez para uma casa onde o sossego reinou. Porque acima de minha cabeça nada além do barulho da chuva. Desta época só tenho boas lembranças dos moradores laterais. Primeiro porque de um lado tínhamos uma vila e de outro um prédio, o que fazia com que ficasse difícil que barulhos alheios incomodassem.

Me lembro de poucas pessoas. Uma das mais importantes era o João Francisco, meu melhor amigo, que além de morar no prédio ao lado também era da minha sala. Ele tinha uma irmã chamada Marina, que era um pouco mais velha que a gente, e sempre ensinava diversas brincadeiras pra gente. Bons tempos nos quais passava as minhas tardes brincando de Aquaplay, Pula-Pira, Cara-A-Cara. A Barbie ficava de fora porque boneca não era coisa do João, né? Do outro lado tinhamos a vila, lá morava a Marilda, uma artista plástica e um moço que a gente chamava de vizinho, tinha olhos azuis como do Chico Buarque e costumava fazer comerciais.

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