vanessa_2

entrevista do mês: vanessa

A terceira parte desta série tem como convidada Vanessa. Conheci ela através deste blog e tenho muito orgulho em dizer que ela foi minha primeira leitora não amiga a se tornar assídua por aqui. E adivinha? No final não é que acabou virando amiga?

Uma pessoa que venho conhecendo há pouco mais de um ano. Nosso primeiro e único encontro off the Internet aconteceu em janeiro passado e foi muito divertido, em um dia lindo e memorável, principalmente porque senti como se a conhecesse desde sempre. Alguém que a cada texto trocado entre blogs (porque ela também tem o dela: …Tiny Dancer…) vou encontrando cada vez mais interesses em comum.

vanessa_3x4

Nome completo: Vanessa Fernandes
Nome artístico ou a.k.a: Tiny Dancer
Data de Nascimento: 11/12/1985
Onde Nasceu/ Mora: Nascida em Catanduva, criada em São Paulo, residindo em Bauru
Profissão/Ocupação: Oficialmente? Estudante de Psicologia na Unesp

– Gosto pessoal…
*Música…
Estilo de Música: Na grande parte classic rock, mas adoro um folk, country ou mesmo um new age básico para relaxar (rs)
Artista: Janis Joplin, tem uma senhora biografia e me libertou de muitas amarras
Banda: AC/DC, Led Zeppelin, Doors
Música-Tema: “Tiny Dancer” do Elton John e “Tangerine” do Led Zeppelin
Última canção que ouviu? Hora de fuçar na minha lastfm – “Eu nasci há 10 mil anos atrás”, Raul Seixas

*Cinema…
Estilo de Filme: comédias, algumas delas românticas. Como diz a Roberta: Filme de Vanessa (rs)
Filme:Almost Famous, Cameron Crowe
Ator/Atriz: Joaquin Phoenix como Johnny Cash, Sandra Bullock e Marilyn Monroe, por serem atrizes “caricatas”, que se adéquam em qualquer papel – pena que na Marilyn isso foi pouco explorado
Diretor: Cameron Crowe, por ter dirigido filmes como Almost Famous e Elizabethtown, e especialmente por ter curtido uma turnê aos 15 anos, como William do filme em Almost Famous. Ele virou meu herói (rs)!
Último que assistiu? No cinema Batman, em casa e pela milésima vez Johnny&June

*Televisão…
Estilo de programa: Jornalístico e Seriados
Programa: nenhum que eu não abra mão de assistir p/ fazer outras coisas
Personagem / Apresentador: Michael Kyle, Damon Wayans de My Wife And Kids – hã… nope!
Último que viu? Trechos do Fantástico

*Livro…
Estilo de livro: crônicas e poesias, até leio romance, porém tem que ser muito interessante
Livro: Orgulho e Preconceito, Jane Austen, essa mulher sabia escrever; Muitas Vidas, Muitos Mestres, do Brian Weiss que mudou meu modo de ver a vida; As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley e Dom Casmurro, Machado de Assis
Personagem: Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, da Jane Austen
Autor: Lya Luft, Luís Fernando Veríssimo e a Jane
Último que leu? Doidas e Santas, de Martha Medeiros

*Geral…
Cor: Preto
Estação do Ano: Outono
Local Favorito: Pézinhos no mar… praia e pode ser qualquer uma
Algo que adora fazer? Olhar cavalos… sim, parece estranho, mas eles me trazem calma…

– Perguntas Gerais
O que sonhava em ser quando criança?
Sonhava em ser muita coisa. Quis ser cantora (rs). Mas aí a ficha caiu, então pensei em ser astróloga. Minha mãe quase me bateu por isso (rs). Até que comecei a querer carreiras tradicionais, algo que sempre foi forte foi fazer veterinária.

Quando “decidiu” sua profissão? Por quê?
Quando estava com o saco cheio de prestar vestibular para veterinária, cansada das pressões, peguei meu teste vocacional de três anos antes que nunca tinha aberto e estava lá na primeira opção psicologia. Então me inscrevi no Mackenzie, prestei e cursei seis meses, quando optei por vir para Unesp fazer o mesmo curso porque vi que também estava cansada de São Paulo.

O que os pais/família acharam da decisão?
Meus pais já consideravam ter uma filha veterinária, minha avó – que me criou – talvez por me conhecer bem via que não ia dar certo (rs). Ela faleceu antes de mudar de decisão para psicologia, mas acho que ela estaria mais tranqüila hoje ao ver que me dei bem nessa escolha. Meus pais se acostumaram com a idéia. Minha mãe acha lindo e vê n possibilidades para mim (como toda mãe vê isso para seu filho) e meu pai tem se convencido aos poucos. Ele ainda acha que dei uma enlouquecida naquela época e que se fosse para mudar deveria ter feito engenharia então (rs).

Quem admira em sua área de trabalho?
A Nise da Silveira e todo seu trabalho com esquizofrênicos. Ela era uma terapeuta Junguiana e com a arteterapia deu uma nova chance de recuperação para seus pacientes. Deixou todo um legado nessa área, foi aluna do próprio Jung, e mostrou o que é ter amor de verdade nessa profissão.

Na vida pessoal possuí alguém que seja um exemplo para você?
São muitos exemplos, complicado dizer um apenas. Todos que convivo hoje, de perto, são exemplos de algum modo positivo. São pessoas que amo e admiro, mas uma pessoa muito marcante foi minha avó Antônia. Ela definitivamente sempre será a pessoa que irei me espelhar, tanto para com cuidados com minha família, até no modo de tratar as pessoas e andar pelas próprias pernas. Ela sempre foi uma grande mulher e é um consenso entre aqueles que conviveram com ela.

– Questões Específicas
Como você via a psicologia pré-faculdade e como a vê hoje, prestes a terminar o curso?
Você falou “prestes a terminar o curso” e me deu um certo pânico (rs). Na fase pré-faculdade, foi logo que entrei no Mackenzie, para mim tudo era novidade, lindo, mas não tinha idéia de quantos campos e quanto eu poderia fazer nessa carreira. Sempre acabava caindo no clichê do Divã. Com o tempo você começa a perceber melhor as pessoas, resolve querer trabalhar consigo mesmo também. Se melhorar para poder ajudar, porque também passa a enxergar que se não fizer isso o clinicar vai ficar muito mais complexo. Você passa a ver novas maneiras de ser útil e tentando aliar com áreas que você já tem maior afinidade. É claro que o mercado é complicado e nem sempre trabalhamos com aquilo que queremos, mas como carreira, formação profissional, a psicologia para mim é um campo vasto. O qual temos de manter a cabeça aberta sempre para inovar e não cair em moralismos antigos que limitam nossa atuação e a própria ciência. Em suma, acho que minha visão evoluiu com o passar dos anos (rs).

Qual a linha de pensamento que você segue/pretende seguir? Por quê?
Brinquei outro dia com um pessoal da minha sala que sou meio promíscua quanto às linhas teóricas, porque leio de tudo um pouco e procuro me inteirar sobre como essas linhas entendem um fenômeno x. Todos os trabalhos dentro da faculdade até hoje tem sido feitos na linha comportamental. Skinner meio que me chama de “meu bem”, entende (rs)? Mas ele não sabe que escondo uma paixão secreta pelo Jung e pelo Reich (rs). São três linhas bem diversas que me encantam, a comportamental por ser algo prático que lido sempre na faculdade e as outras duas por ainda serem o desconhecido e por aparentemente me proporcionarem insights mais elaborados para mim sobre o ser humano, uma maneira totalmente diferente de compreende-lo. Talvez logo que me formar siga a comportamental, mas começar em uma linha, por segurança, não garante que seguirei nela por minha vida profissional inteira. De repente faço um curso de Fenomenologia e voilá! Ou mesmo sobre Lacan! Foi como disse acima, o importante é manter a cabeça aberta e ter certeza daquilo que coloca em prática.

Assim como boa parte das carreiras, psicologia é abrangente, onde há muitas coisas que podem ser feitas além de clinicar. Com o que dentro dela você pretende trabalhar?
Equoterapia é uma área que gosto muito. Sinto liberdade para trabalhar especialmente pelo setting terapêutico ser diferente afinal você tem um cavalo nele. Acho essa parceria com o animal fascinante e muito eficiente, além de ser uma área que me permite trabalhar em qualquer linha teórica. Gosto bastante de Ludoterapia. Trabalhar com crianças, ver como o brincar delas revela desde problemas externos a internos. Crianças são legais porque elas são sempre honestas e jogam limpo com você, mas ao mesmo tempo exigem dedicação para ganhar sua confiança. E áreas como luto, pacientes terminais, oncológicos. Minha mãe costuma dizer que é meu lado mórbido chamando, mas ok (rs). É algo que sinto que aprenderia muito e talvez pudesse ser um pouco útil para alguém.

Que matéria menos gosta na faculdade e por quê?
As matérias extremamente teóricas são mais cansativas, não tem uma que eu digo: nossa, que uóh foi fazer, mas deram maior desgaste por eu não ter mais afinidade ou pelo professor não ser o mais adequado para ministrar aquela matéria. Acabam sempre ficando no plano da abstração, do ideal, e psicologia para mim ainda tem de ter um caráter mais prático, de utilidade pública, senão perde o sentido que eu me propus a ter com ela. Exemplos disso foram no início da faculdade, em uma matéria sobre comportamental, e no terceiro ano com uma matéria referente a sócio-histórica.

O que pensa de programas de televisão como Márcia, Casos de Família e até Supernanny, onde conflitos são expostos para o público e soluções são achadas, deixando as pessoas passivas de julgamento?
Nossa (rs)! Não gosto de sensacionalismo, acho uma falta de tato sem tamanho e uma crueldade com as pessoas. Márcia eu passo, sério! É um programa que não merece muita consideração pelo próprio estereótipo jocoso da apresentadora. Casos De Família assisti umas duas vezes, achei a apresentadora razoavelmente plausível. É um formato de programa que não me agrada em nada, mas pelo menos ela tenta manter, aparentemente, um certo respeito. Já Supernanny acompanhei alguns capítulos da versão brasileira e da inglesa. Assim eles falam de uma fórmula pronta para criar os filhos, buscando padronizar as famílias, mas nenhuma família é igual a outra, cada uma teve sua história, tem seus valores e seus meios de inserção. O programa usa uma base comportamental reforçamento/punição clássico para manter a criançada na linha, mas acabam ignorando muito o contexto a que essas pessoas estão ligadas. O comportamento emitido é encadeado por uma série de outros comportamentos e isso eles excluem. Trabalham só na topografia e não na função, logo resolve-se ali durante algumas semanas enquanto a série está sendo gravada, mas e depois? Porque não mostram depois de alguns meses o que aconteceu? Às vezes nem a própria família consegue manter as crianças “na linha” porque querem o esquema pronto, esquecendo que cada criança é única e cada meio que ela está envolvida também é, e principalmente, que cada um de nós percebe todo esse ambiente de um jeito.

vanessa_1vanessa_2vanessa_3

Entrevista feita em 16/02/2009

—————

Série Entrevistas – Entrevistados Anteriores:
– Fevereiro: Filip
– Março: Thiago

11 comentários sobre “entrevista do mês: vanessa

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s