onde burocracia e botões se encontram

Não tenho idéia de onde diabos tirei minha simpatia por burocracia. Acho que não é algo que se nasce com, certo? Talvez seja a forma que encontrei instintivamente quando pequena de “arrumar” o caos que é o mundo. A única coisa que sei é que desde descobri que o nome da minha mania de ordenar as coisas se chamava burocracia pequena não entendia o porque todos falavam mal dos burocratas.

Não consigo me lembrar ao certo quando descobri o significado dessa palavra feia. Uma coisa que me lembro é que desde mínima me divertia brincando de escolinha, mas os olhos brilharam realmente quando ganhei em um natal um jogo que imitava um banco. Verdade! Eu achava o máximo ter talões de cheque, dinheirinho de mentira e coisa e tal. Mas diferente do que isso tudo possa dar a entender, não gostava da brincadeira por conta do meu lado mulher/consumista e sim porque sempre tive uma queda por colocar ordem em papeis. Me divertia preenchendo campos e mais campos com informações loucas de pedra, como nomes inusitados. Uma pena que não lembre de nenhum. Gostava de dar empréstimos para as pessoas. Brincar com folhas e mais folhas de carbono. E quando os bloquinhos oficiais do jogo acabavam pedia para que meus pais fizessem novos.

Como o ditado bem diz, tudo muda, hoje as coisas são diferentes. Talvez porque entenda o quão chato é ver a vida passar enquanto se espera em filas intermináveis, perder tempo preenchendo papeis infinitos, ter de esperar meses para ser atendido e no final descobrir que não se tem direito a algo ou não conseguir o que realmente queria. Enfim, meu encanto pela burocracia terminou quando me dei conta de que como o Socialismo ela só funciona na teoria.

Acho que com isso podemos provar que sempre fui meio odd. Assim como a mania por brincadeiras burocráticas outra coisa que me hipnotizava e divertia muito nas brincadeiras de banco ou vendinha eram botões. Nunca fui daquelas crianças que saem dizendo a todos que serão médicas ou astronautas quando crescer. Não sei se porque na minha família quando me perguntavam o que eu seria, eles mesmos respondiam salsicha ou se porque sou uma pessoa que tem a habilidade de nunca conseguir decidir nada. Simplesmente me lembro bem de ter meus seis, sete anos e dizer para minha mãe que quando crescesse queria ser caixa de banco. Não por ambição de ter em mãos muito dinheiro ou por ser sadomasoquista e me divertir em deixar pessoas esperando durante horas, principalmente os velhinhos. Não, não, nada disso. Minha vontade de trabalhar como caixa no banco existia por conta da minha fascinação pela atividade de apertar botões. Minha lembrança mais remota de felicidade ligada a apertar botões eh de ir a banca de jornal que ficava ao lado de casa e ver a calculadora do senhor jornaleiro e seus botões gordos. Amava acompanhar minha mãe em suas idas ao banco e ficava abobada com a rapidez na qual os botões eram apertados.

Acredito que assim como Deus, a mente das crianças trabalha de forma misteriosa. Hoje, assim como a burocracia, à vontade de ser caixa de banco não existe mais. Mas ainda fico fascinada em ver botãozinhos sendo apertados no banco. Acho que de certa forma e por isso que faço o que faço. Já que une muitas coisas que eu gosto como música, falar e, é claro, apertar botões.

3 comentários sobre “onde burocracia e botões se encontram

  1. Dark disse:

    Eu nunca gostei de burocracia, sou bagunçado por natureza e olha o que virei: um burocrata, e pior, passando o dia na frente de um computador, máquina que eu sempre detestei, o mais irônico nisso tudo é que sou bom no que faço.

    Ou seja não importa o que a gente pense em ser na infância, sempre muda com o tempo, a menos que você resolva virar salsicha.

    • paulinha mihuda disse:

      Ne? Eu sempre adorei por ordem em tudo, mas no final ela acaba durando uns dois segundos. Um caos. Mas acho que por isso a vida eh legal, porque coisas inesperadas acontecem…

  2. Gabriel Leite disse:

    Eu também adoro essas coisas! Acho que queria ser secretário quando pequeno. Atender telefone, mexer com folhas, assinaturas (como eu amava as assinaturas!) e grampeadores. Hoje em dia essas coisas nem existem mais. Tudo está digitalizado. Aí nem tem mais graça ser secretário. Hunf!

    Ótimo post. Lembranças da infância são assuntos infalíveis!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s