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entrevista do mês: thiago

Dando sequência a série que foi iniciada no mês passado aqui está a entrevista de março, e o entrevistado da vez é o Thiago. Conheci ele há dois anos no saguão do Hotel Unique, onde cada qual esperava para fazer sua entrevista. A minha foi um tanto decepcionante, mas saí de lá tranquila (coisa rara após um fiasco profissional), talvez pelo fato de nesse dia ter ganhando um amigo. Um cara muito do inteligente, com olhos sensíveis que o faz tirar fotos lindíssimas (flickr), com o qual sinto que posso passar horas falando sobre tudo e nada.

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Nome completo: Thiago Kaczuroski
Nome artístico ou a.k.a: Kazu
Data de Nascimento: 28 de agosto de 1985
Onde Nasceu/ Mora: Nasci em São José do Rio Preto por um acidente geográfico. Morei a vida toda em São Paulo
Profissão/Ocupação: Jornalista, atualmente repórter de Cultura e Entretenimento do Portal Terra

– Gosto pessoal…
*Música…
Estilo de Música: RapRockandRollPsicodeliaHardcoreRagga, com um tiquinho assim, ó, de carimbó
Artista: Jimi Hendrix
Banda: Flaming Lips
Música-Tema: É difícil, tenho uma para cada época,  momento, pessoa, lugar. Mas se tiver que apontar uma só, seria “Fight Test“, do Flaming Lips
Última canção que ouviu? “I Try”, da Macy Gray (em 12/11/2009)

*Cinema…
Estilo de Filme: Com tiro, romance, briga, traição, perseguições alucinadas e, se der, um psicopata. E já prometi para mim mesmo que não vejo mais filme do Oliver Stone
Filme: Casablanca
Ator/Atriz: Os que me fazem sentir raiva deles
Diretor: Clint Eastwood, Billy Wilder, Orson Welles, Danny Boyle…
Último que assistiu? Slumdog Milionaire (em 12/02/2009)

*Televisão…
Estilo de programa: Notíciário, esportes e novela, principalmente a das 20h
Programa: Vale seriado baixado? Aí a lista vai ser longa…
Personagem / Apresentador: Meus personagens favoritos são o Dexter Morgan, Dexter, Kevin Arnold, de The Wonder Years e o Coronel Adama de Battlestar Galactica
Último que viu? Lost

*Livro…
Estilo de livro: Leio até livro ruim. Mas se tiver mar e histórias de pai e filho já é meio caminho andado
Livro: O que mais li na vida foi Alta Fidelidade, do Nick Hornby. Mas acho que o que mais arrebatou foi Cem Anos de Solidão
Personagem: Talvez o Rob Gordon, de Alta Fidelidade seja com quem mais me identifico
Autor: Tem uns que não podem entrar em uma simples lista, como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Shakespeare, Homero, Fernando Pessoa… Dos “mortais”, fico com Faulkner, Kafka, Coetzee, Hemingway, Marçal Aquino e Edyr Augusto
Último que leu? A Segunda Vez que Te Conheci, Marcelo Rubens Paiva

* Geral…
Cor: Tons de cinza, sou um cara em preto-e-branco
Estação do Ano: Isso não existe mais
Local Favorito: Fico entre a Av. Paulista, as ruas do bairro de Copacabana e a cidade de Sapucaí Mirim
O que adora fazer? Ir a pelo menos um jogo de futebol em cada cidade que visito

– Perguntas Gerais
O que sonhava em ser quando criança?
Em ordem cronológica: bombeiro, lutador de boxe, atirador da SWAT, jornalista, arquiteto e economista.

Quando “decidiu” sua profissão? Por quê?
No terceiro ano de colegial, na hora de fazer as inscrições nos vestibulares. Não achava que jornalismo era uma escolha “séria”. Para mim, ler e escrever era algo divertido, que eu poderia fazer tendo outra profissão. Quase virei economista, mas acabei fazendo a escolha certa, acho.

O que os pais/família acharam da decisão?
Curtiram, mas tive liberdade de escolher qualquer coisa que quisesse fazer.

Quem admira em sua área de trabalho?
Os fodões, Hunter Thompson (“Medo e Delírio em Las Vegas”, entre outras viagens doidas, pai do jornalismo Gonzo, ídolo de quem pelo menos uma vez na vida já fumou um baseado e foi trabalhar, sendo jornalista ou não), David Remnick (editor da New Yorker), Ryszard Kapuściński (polonês que virou especialista em conflitos, principalmente na África, autor de O Imperador, Imperium, entre outros), Norman Mailer (baixinho que escreveu melhor que ninguém sobre O evento esportivo do século passado). Dos mais “modernos”, admiro Chris Anderson, Alexandre Matias, Tiago Dória e o mestre Sergio Amadeu, principalmente pela forma inteligente como eles utilizam a tecnologia para compartilhar conhecimento, cada um na sua praia.

Na vida pessoal possuí alguém que seja um exemplo para você?
Acho que sempre dá pra pegar algo de positivo com quem você convive e usar na tua vida. Pelo menos na maioria dos casos acontece isso, procuro ver o que cada pessoa tem de positivo e dar um jeito de adaptar aquilo à minha realidade.

– Questões Específicas
Tendo se formado há algum tempo, a forma que via o jornalismo antes da faculdade mudou após começar a trabalhar de fato?
Antes de entrar na faculdade tinha aquela idéia de jornalista que quase todo mundo tem: algo glamuroso. Vi que não era bem assim, mas nem por isso era menos interessante. Descobri que o “escrever” jornalístico tem muito menos a ver com algo literário do que com algo industrial. Acaba virando automático, como deve ser para um arquiteto fazer as primeiras marcações, ou para um médico abrir a barriga de uma pessoa para saber o que tem ali dentro. Tendo isso em mente, o exercício diário é pensar, que, por incrível que pareça, dá mais trabalho que escrever. Aprendi também que não é o fim do mundo ficar 10, 12, 15 horas no trabalho, aprendi a comer de garfo e faca na frente do PC, ganhei uns quilos, dor nas costas, cabelos brancos e pelo menos dois vícios.

Você já cobriu pautas fora do Brasil, onde teve contato com outros profissionais. Sendo assim, como é que enxerga o jornalismo brasileiro em comparação?
Minha experiência no exterior foi muito pequena para responder essa pergunta. O que pude notar é que estamos MUITO atrasados tecnologicamente se compararmos ao jornalismo americano, por exemplo. E não é nem em equipamento, é no jeito de pensar a notícia, que já não é mais o mesmo que se aprende e ensina nas faculdades. E não adianta, ninguém é mais animado que brasileiro.

Assim como assinar matérias, ocasionalmente tira fotos a trabalho. Em que plano fica a fotografia em sua vida?
Fotografia é hobby. Já passei da fase utópica de querer trabalhar com fotografia, os profissionais da área se fodem tanto ou mais que os repórteres de texto. Quando rola de fazer fotos para o trabalho, ótimo, aproveito a oportunidade e sempre acabo me divertindo. Mas fica nisso. Sou mais tirar umas fotos de vez em quando, scanear meus filmes sem pressa, sem cobrança, podendo fazer a coisa do meu jeito.

Tem algum assunto em particular que você mais gosta de cobrir?
Entretenimento e tecnologia. Não me vejo escrevendo sobre Economia, ou Política, por exemplo. Acho que tornaria o trabalho muito mais penoso e desinteressante. Atualmente o que mais me interessa é essa relação da tecnologia com a forma como nos comunicamos, produzimos e consumimos, informações e bens. Essa coisa de “agora todo mundo tem o mundo às suas mãos”. Ok, mas como as pessoas usam esse potencial todo?

Quais as coisas positivas e negativas de ser jornalista?
Apesar de todos os pesares, ainda é uma função que conta com um certo prestígio, principalmente entre os que não são dessa área. Essa coisa do Quarto Poder existe, e muito mais do que a gente pensa. E isso é bacana até certo ponto. Depois que você coloca na cabeça que tudo é uma indústria, um jogo, e que você é só mais um operário – e não o intelectual com talento para as Letras que vai mudar o mundo – e decide aceitar e jogar as regras desse jogo, a coisa se torna mais fácil. O grande problema é que jornalista precisa estar preparado para tudo, e no fundo não entende nada sobre nada. Por um lado é bom, pois te abre a mente e te faz ver e ter curiosidades por outras coisas. Por outro, dá essa sensação de estar perdido em um mundo que não pára, precisando estar sempre alerta. O jornalismo me possibilitou ir a lugares, conhecer pessoas e coisas que eu nunca imaginaria, e isso é muito bacana, mas isso tem um preço. por exemplo, agora são 2h13 da madrugada e eu estou dando um tempo, ainda na redação, antes de retomar o trabalho.

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créditos: fotos 3×4, 2 e 3 por Thiago Kaczuroski

Entrevista feita em 13/02/2009

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Série Entrevistas – Entrevistados Anteriores:
– Fevereiro: Filip

10 comentários sobre “entrevista do mês: thiago

  1. Gabriel Leite disse:

    “Não achava que jornalismo era uma escolha “séria”. Para mim, ler e escrever era algo divertido, que eu poderia fazer tendo outra profissão.”

    Não entendi… Mas ele não virou jornalista?

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