desvio da maratona musical

Continuando…

Sábado foi um dia bastante incomum. Acordei cedo, com ressaca do show, e pelo meio dia fui com a Maria ao supermercado. Só então lembrei que era dia de Brooklin Fest, festa anual do bairro que um dia era habitado em sua maioria por descendentes de alemães, por isso o grande número de barraquinhas com comidas típicas e atrações folclóricas. Por anos deixei de ir por preguiça e horror a muvuca, mas como já estava por lá, aproveitei para xeretar coisas.

Durante a primeira etapa de nossa “missão” (= ver todas as barraquinhas), chegamos finalmente ao palco onde atrações alemãs ou não constumam se apresentar, e tivemos de parar pois a Maria se liga muito nessas coisas de raízes familiares e adora ouvir músicas e ver as danças tradicionais. Ao final da música, para nossa “alegria” é apresentado um convidado muito especial… tchan-tchan tchan tchân….

Nosso “super” e recente prefeito eleito, Gilberto Kassab, ou como ele é conhecido pelas “minhas bandas”, O Grande Kassabinho. Desde a campanha, o Mayor parece estar por toda a parte, mas dessa vez com chapeu típico, sua aparição foi o suficiente para que continuassemos o passei com sorrisos na face.

Finalmente chegamos ao mercado, compramos o que queríamos e rumamos para casa. O dia estava quente, mas com uma cara duvidosa, isto é, nuvens cinzas pairando no céu. Naquela época ainda estava doente, e minha tosse de cachorro velho/rouquidão me deixaram na dúvida se me arriscaria a ir ao Planeta Terra. A vontade de ver Kaiser Chiefs ao vivo era muito grande, assim como o medo de ficar perdida no fim do mundo, sozinha, na chuva…

Chegando ao portão de casa avistamos duas senhoras que chamaram por nós. Admito que fiquei com o pé atrás, afinal de contas hoje, morando em São Paulo, ou se vive em estado de alerta 24h por dia ou se dá mal. Mas minha intuição dizia que tudo bem, então falamos com elas e foi ai que começamos a fazer parte de outra jornada. Desta vez, éramos coadjuvantes na aventura de duas senhoras, D. Frida esta de 88 anos e e D. Elizabeth, com seus 77. As duas estavam à procura da casa do Sêo Carlos e queria saber se eu e Maria sabíamos onde poderia ser.

Não tínhamos idéia de onde poderia ser, e então fomos aos poucos e complicadamente sendo colocadas a par da situação. Ambas vinham de Itapecirica da Serra para a festa de 92 anos de Sêo Carlos, mas só perceberam que estavam sem o endereço na metade do caminho. Chegaram a porta da minha casa, totalmente no cheiro, ou como costumo falar, usando o cérebro de pombo. Resumo, estavam perdidas e eu e Maria nos sentimos obrigadas a ajudar aquela Sra. que falava igual minha avó (um senhor sotaque alemão) e sua amiga paranaense a encontrar seu destino.

Além de aniversariante, Sêo Carlos G… (sobrenome impronunciável pela minha pessoa), um velinho alemão, também era cunhado de D. Frida, que insistiu que ele morava na mesma casa há mais de 40 anos.

A primeira atitude sensata a se tomar foi chamar a Mama que, antes de casar e ter filhos, morou por anos na casa onde vivemos hoje. Mas assim como nós, ela não tinha idéia onde o Sêo Carlos se escondia das duas. Entçao, Maria resolveu falar com outras moradoras antigas da região, as vizinhas da frente, Maria e Lilia – que até esse dia eu jurava que chamava Lílian. As duas também não tinham idéia de onde seria a residência do senhor de mais de nove décadas e também desconfiaram da historia das senhorinhas.

As duas perguntas mais repetidas daquela tarde foi como diabos elas haviam chegado lá? A resposta foi: táxi… E como saíram de casa sem o endereço? Bom, essa não teve resposta falada, e a cara que a D. Elizabeth fazia cada vez que a questão era levantada era totalmente impagável, e vinha sempre acompanhada de um gesto, apontando para D. Frida.

Depois de tanta discussão as únicas pistas que tínhamos para solucionar o mistério eram:

– Sêo Carlos era um senhor alemão de 92 primaveras que morava na mesma casa há mais de 40 anos, em uma rua na qual o ônibus vira
– Tinha como filha D. Irene
– E um neto chamado Murilo

Vendo que a situação não evoluía, eu e Maria decidimos bater na porta dos únicos alemães dos quais tínhamos notícias no bairro, estes pelos quais admito ter tido uma quedinha anos atrás. Bom, nostalgia mode [on] lá estava minha chance de falar com os vizinhos, pena que tanto tempo se passou. De qualquer jeito fui até lá e quem nos atendeu foi o irmão mais novo. Assim como nós ficamos ao ver as velhinhas, no primeiro instante ele pareceu bastante desconfiado. Eu, nervosa por conta de toda a história – minha “com” os vizinhos, não da D. Frida – desatei a falar (momento que minha querida irmã amou noticiar para quem pode) e assim que perguntei se ele conhecia um Sêo Carlos, a resposta que tivemos foi: “Ah não, elas foram bater na sua casa?”

Resumindo nosso diálogo, elas já haviam passado pela casa dos alemães. Eles não puderam ajudar e então se voluntariaram a chamar um táxi, mas elas não aceitaram e decidiram continuar sua busca.

Após nossos burros terem caído n’água, voltamos para casa. E finalmente uma luz. Elas lembraram que haviam pessoas na casa de D. Frida que poderiam passar o telefone do Sêo Carlos para então conseguirmos o endereço. Após mais de meia hora naquele empasse, descobrimos que no final D. Frida estava certa. Mesmo com mais de 80 anos e uma certa dificuldade para andar, D. Frida soube guiar o taxista até o local, após anos sem vir para a região, errando o endereço apenas por uma quadra.

Para finalizar a história com chave de ouro, Maria e eu fomos entrega-las sãs e salvas à D. Irene, que nos recebeu muito bem e até convidou para a festa de Sêo Carlos, mas como duas boas “samaritanas” soubemos a hora de nossa retirada e voltamos para casa felizes e satisfeitas com a boa ação.

***

Ah, a maratona musical continua no próximo capítulo

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