outubro passou e eu nem vi

Quando pequena o mês de outubro costumava significar festa, já que pelo que me lembro no total são seis aniversariantes, quando praticamente todos completam primaveras um seguidinho do outro.

Mas as comemorações começavam cedo, tendo inicio dia 12, que alem de ser feriado por ser o dia de N. Sra. Aparecida – minha querida santinha – também é o dia das crianças, isto é praticamente o dia mais perfeito do mundo após Natal. Porque não se tem aula, se ganha presente e mimos.

Logo depois vinha um novo dia de descanso porque no Colégio dos Irmãos Maristas não se tem aula no Dia dos Professores. Então em casa comemorávamos três vezes. Primeiro porque todo dia de não-aula deve ser celebrado, depois porque a Madele era professora então, assim como as tias da 1a a 3a serie, ganha presentinho. E para terminar com chave de ouro, era aniversário do Aldo, meu tio querido. Aldo é uma figura! Um jovem de 30 e poucos anos preso no corpo de um homem que fez recentemente 71 anos. Uma pessoa com um humor incrível, super ativo, um cara totalmente ligado nas coisas atuais, que me ensinou a usar o computador quando eu tinha seis anos de idade. Me deu meu primeiro walkman digital, estava ao meu lado quando fiz minha primeira conta de e-mail e ensinou o que era Napster e mp3. Com certeza meu mundo não seria o mesmo sem ele por perto, mesmo ele me irritando quando rio estridentemente… fazer o que? Ninguém é perfeito! Amo!

Sem tempo algum para se descançar, dia 16 é novamente dia de comemorar. Isto porque em 1954, minha avó do lado japa se encontrava em trabalho de parto, pronta para ter um bebê que mais tarde viria a ser meu pai. Um senhor que hoje possui 54 anos, tem uma habilidade manual incrível, assim como o pai dele. Seja para criar coisas – madeira, concreto celular, papel, caneta, lápis ou pincel… you name it – ou para cuidar de plantas. Algo invejável, claro que no bom sentido, já que eu por mais que ame a natureza tenho um dom de matar meus queridos seres de clorofila. Assim como o Aldo, alguém totalmente indispensável para a vida. Pessoa sem a qual eu não teria a facilidade de brincar com a língua inglesa, ou estaria aqui na frente deste monitor escrevendo. Ele bem que tentou me afugentar, mas não teve jeito e acabei por seguir seus passos e assim como ele passo a vida a escrever. Amo!

E quando se achava que era momento de respirar fundo, o susto. Dois dias depois do aniversário de meu pai, era hora de celebrar as primaveras de sua mãe, ou como era chamada pela família, a , Bá de Batchan – que para quem não sabe significa avó em japonês. Queria poder contar que nossa relação era próxima, mas não. Quando nasci a Bá já tinha uma certa idade, na verdade, quando meu pai nasceu ela não era nenhuma meninota, já que ele é o penúltimo dos nove filhos. Antes da minha chegada, muitos outros netos vieram. Não que eu era apenas mais uma, mas isso acaba não propiciando uma grande proximidade, ainda mais quando se vai morar a dez horas de distância. E nossa relação foi assim durante um bom tempo, sem muita intimidade, com ligações sempre em datas importantes e grandes visitas nas férias. Mas as coisas mudaram pouco tempo antes dela nos deixar. Eu já estava de volta ah São Paulo e nossos encontros eram mais freqüentes. Não sei se era a ausência de meu avô, que desde quando conheci era surdo (história para uma próxima vez) e a comunicação deles, alem de ser em japonês – idioma nada atraente ou gostoso de se ouvir – e rolava uns berros para ver se ele entendia. Mas ela foi se mostrando bem diferente do que conhecia. Isto é, daquela pessoa rígida e seria, vi uma senhora, pequena e branquinha, que lutava contra as raízes japas e teimava em colocar bobs no cabelo e tinha muito senso de humor, a ponto de fazer piada. Uma pessoa bem especial, sem a qual eu também não estaria aqui e da qual tenho ótimas lembranças! Amo!

Como toda boa família numerosa, cedo ou tarde duas pessoas iriam ter de dividir seu dia, né? Isso aconteceu quando minha mãe passou a fazer parte dos Higas, já que minha prima Neide já havia nascido. Então o dia 19 foi premiado! Neide é razoavelmente mais velha que eu, tendo cuidado de mim, dado a mão quando eu comecei a andar e até trocado as fraldas. É uma pessoa com a qual não tenho intimidade, mas um carinho enorme. Neide é pequenininha, tem cara de personagem de desenho animado e se casou com Tada, há uns bons anos. Assim como ela, ele também parece ter saído de um desenho japonês, e essa relação veio a resultar em três priminhos fofos – Ângela, Gustavo e Kaike – todos os três herdeiros oficiais da fofura dos parents, donos de covinhas lindas. Amo!

Não, não poderia ou teria como esquecer a mãeminha. Somos bem diferentes, e meio que iguais em certos aspectos. Batemos de frente em algumas coisas e em outras somos confidentes. É o maior exemplo de mãe-leoa que conheço. Dona dos olhos verde-água mais lindos do mundo. Pessoa da qual recebi meus cachinhos e teimosia. Assim como a paixão por decoração, vôlei, bom gosto, vontade de poder ajudar o mundo e muito mais, entre inúmeras outras coisas. É minha gordinha/baixinha querida, que finge não ligar para bichos, mas quando tem um em casa não resiste a seus encantos. Um amor de pessoa, que me ensinou a ser forte, não abaixar a cabeça, sempre deu força nas horas importantes e que eu AMO!

E você achou que acabou? Não, não, ainda falta mais uma! Falta a Zaida, sim Zaida e não, não tenho idéia de onde a minha tia tirou esse nome. Zaida assim como Neide é prima, mas ao contrario dela foi muito presente durante bons 20 anos da minha vida. Hoje nos vemos e falamos pouco, mas só tenho ótimas lembranças dela. Como boa filha da Tia Inha, Zaida sempre cuidou de mim e de meus irmãos. É culpa dela eu adorar passear no Parque do Ibirapuera, lugar onde ela me levava todo sábado de manhã, para andarmos, tomar um solzinho e alimentarmos os patos. Sem contar nossas inúmeras visitas ao Planetário. Com ela eu desenhava, brincava de Kalunga na hora de arrumar a cama para dormir, ouvia música e escrevia cartas, antes mesmo de saber escrever! Uma tia super nova, que ajudou a me criar! Amo!

Acho que por enquanto é isso, mas a familia continua crescendo então sabe la onde essa lista vai parar!

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2 comentários sobre “outubro passou e eu nem vi

  1. Agenor disse:

    Ah Paulinha minha querida sobrinha, fico comovido de ler esse seu post. Continue assim uma menina dengosa e estudiosa.

    Do seu querido tio,

    Agenor.

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