23 anos…

Ele não ganhou um “nome” como a Maria, mas tem mil apelidos que não posso colocar aqui senão ele me mata.

Não tenho lembrança de minha vida sem ele, já que quando nasceu eu tinha um ano e dez meses e minhas primeiras lembranças de vida são a partir dos dois anos. Minha mãe conta que no início eu tive um pouco de ciúmes, afinal eu era a caçula dos dois lados da família e o centro das atenções. Aí meus pais aparecem um dia com um pacote azul todo fofo que acaba com a minha festa. Eles me prepararam durante a gravidez, mas nada eu não esperava que minha vida fosse mudar tanto. Reinei durante algum tempo em absoluto, mas ele chegou para me destronar.

Com cabelos em pé (típico de bebê japonês), bochechas cheinhas e jeito de boneco gordinho, ele conquistou todo mundo e eu acabei caindo no charme também.
A partir do momento em que ele ficou de pé, aprendeu a escalar as estantes de vime da minha mãe, depois vieram os batentes das portas e assim por diante.

Crescemos entre brincadeiras saudáveis e de mão. Diariamente trocávamos tapas e às vezes pegamos pesado. Não é algo que me orgulho, mas é coisa de irmão, acontece. E ao mesmo tempo em que nos estapeávamos, éramos os maiores defensores um do outro. Só eu podia bater e brigar com ele e ele comigo. Nossas brigas eram como uma válvula de escape e aprendemos a lidar com isso de uma forma interessante.

Todo dia após sermos pegos na escola, íamos com meu pai de carro até a padaria para comprar pãezinhos e se déssemos sorte, ganhávamos um chocolate areado. A gente ficava no carro e era uma tradição brigar para ver quem ia sentado no banco da frente. Quem ficava atrás sempre provocava o outro até rolar uns tabefes, mas tudo era muito controlado e acabava antes do nosso pai sair da padaria. Já que nós dois combinavamos silêncio, porque após essa sessão de “carinhos violentos” não precisávamos de bronca dos pais, né?

Lendo isso até parece que nos odiávamos. Mas também tínhamos nossos bons momentos, que eram a maior parte do tempo. Como quando tínhamos três e cinco anos e ainda tomávamos banho juntos e em casa rolava uma banheira. Lá a gente fingia que conversava em inglês e falava coisas inexistentes enrolando a língua. Ou quando já morávamos em Maringá e chegavam as revistas da Turma da Mônica e a gente passava horas quietinhos, lendo no quarto.

Não sei dizer quando, nem onde nossa relação mudou. De irmãos briguentos passamos a confidentes. Na verdade, acho que isso sempre esteve presente, só faltava maturidade para deixar as diferenças de lado. De fato, somos muito diferentes, mas ele é uma das poucas pessoas no mundo que me agüenta, me entende e me tira do sério de verdade.

Ele é carinhoso, brincalhão, cavalheiro, sensível, amigo e mais mil coisas, onde 99% delas são boas e como ninguém é perfeito, mesmo ele achando que é, tem 1% de defeitos.

Hoje ele faz aniversário e desejo tudo de muito bom, porque mesmo sendo bobo, joselito, “modesto”, pentelho ele é uma pessoa maravilhosa…

Dani, Feliz Aniversário!


sozinho, folga

comigo, caras e bocas

com a cau, irmandade

com willycat, carinho

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