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brincando de malu

Quando eu era criança passava a maioria dos meus finais de semana na casa do Tito e da Tia Inha. Por isto eu adorava sexta-feiras. Muitas vezes ela me buscava na saída da escola e a festa começava.

Um dos momentos que eu mais esperava era para que desse sete da noite. Nesta hora eu e o Dani já estávamos de banho tomado, esperando que o Tito chegando do trabalho, abrisse a porta da cozinha e com uma cara de surpresa e um tom de pelamore falasse: de novo! – fingindo surpresa, como se não soubesse que nos dois passaríamos o final de semana na casa dele mais uma vez. Como criança se diverte com pouco, eu e o Dani caímos no chão de tanto rir com a piada que ele fazia toda santa sexta.

Nesta época uma das minhas brincadeiras preferidas era fingir que era cabelereira. Minha tia e primas iam a um salão onde a dona se chamava Malu, então quando alguém perguntava do que eu queria brincar eu logo respondia: de Malu.

Engraçado que eu adorava cuidar do cabelo de todo mundo. Até pentear a Kelly, a mascote yorkshire, eu achava o máximo. Meu cliente favorito sempre foi o Tito. Não sei dizer o porque, afinal de contas desde que nasci, boa parte de sua cabeça já era lisinha e carequinha. Mas tenho que dizer que ele tinha uma grande vantagem, sendo um senhor nascido em 1935, ele sempre tinha seu pentinho no bolso da camisa.

Para brincar de Malu era necessário subir e sentar no encosto do sofá, a partir daí o resto era imaginação, pois meu único acessório real era o tal pente. Agua, shampoo, condicionador era tudo de mentirinha.

Desde este tempo as coisas evoluíram e me tornei minha cobaia favorita. Lembro bem a primeira vez em que “aparei” minha própria franja. Fui pega no flagra por minha mãe, mas meio estrago já tinha sido feito. Apesar da pouca experiência com tesouras o resultado não foi de todo mal. Na verdade, comparando me sai bem melhor do que quando minha progenitora tentou acertar minha franja e por duas vezes além de deixar tortinho levou naquinhos de pele junto. Foi a partir dai que declarei minha independência capilar e meu lema vem sendo cabelo cresce.

A partir de então já descolori e pintei minhas melenas de diversas cores – dentre elas fuscia, vermelho, azul e roxo – e há mais de uma década sou responsável tanto pelo meu próprio hair stile como do povo la de casa.

Maria, minha querida aprendiz, vem seguindo meus passos e apesar de não mandar bem quando o assunto é cortar reto – acho que deve ser algo genético – nesta hora sempre sobra pra mim, seu negocio é repicar com navalha, vem mandando bem.

Não tem aquele dizer: se nada der certo eu viro hippie. No meu caso, acho que se nada der certo, abro um salão.

4 comments Dezembro 7, 2009

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