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curtindo a vida adoidado
A primeira vez que assisti a Curtindo A Vida Adoidado foi em uma Sessão da Tarde, quando eu tinha sete anos. Acho engraçado como certas coisas que a gente não esquece, nem preciso dizer que foi amor a primeira vista. Desde então vi o filme trilhões de vezes. Ele fez parte de minha infância, pois foi um dos filmes que eu e meu irmão gravamos em uma fita VHS e adorávamos ver noite após noite antes de dormir.
Para quem não é tão louco por filmes quanto eu, não lembra direito deste clássico dos anos 80 ou então viveu em uma bolha durante 20 anos, Ferris é apenas mais um estudante que prestes a se formar no colegial não resiste à dias bonitos e trama planos quase que mirabolantes para cabular um dia de aula. Com um jeitinho brasileiro somado aos conhecimentos tecnológicos de um adolescente norte-americano ele eleva a artemanhã de fingir uma doença para não ir ao colégio.
Além de manipular os pais de forma majestosa, ele ainda usa sua fértil imaginação para livrar seus “entes queridos”, isto é , sua namorada e seu melhor amigo, da tortura escolar e se juntar a ele.
Seu melhor amigo é Cameron, um sujeito cheio de patologias imaginárias, causadas pela falta de atenção dos pais e que parece ter medo da própria sombra. Sua namorada é Sloane, uma garota tranquila, que embarca nos planos de Ferris sem problema, e que sonha casar com ele.
Para que seu plano de certo ele inventa mecanismos com roldanas e usa de fitas com roncos gravados, passa trotes, se fantasia e o que tudo mais for necessário, fazendo da tarefa de se livrar dos livros tão divertida quanto a liberdade em si.
Munido de idéias inusitadas, um pouco de dinheiro e uma Ferrari, ele sai do suburbio para aproveitar o dia na cidade. Passeio no museu, almoço em restaurante francês, chique, nadar na piscina alheia… nada se compara com a cena na qual Ferris se “infiltra” em um desfile e canta Beatles.
Momento antológico do cinema dos anos 80.
Apesar de adorar o filme e seu anti-herói, meu lado certinho me faz torcer um tanto por Jeanie, a irmã de Ferris. Concordo que cabular aula em um dia maravilhoso é uma delícia, mas e a justiça neste mundo? Não adianta eu negar para mim mesma que rola uma certa identificação com Jeanie, garota temperamental, que faz tudo certo e nunca recebe louros. Sou uma pessoa tão inconformada quanto ela, mas o lance de identificação para por aí. O problema dela é que não cuida de sua própria vida, assim o fato de ser uma das poucas pessoas que enxerga o verdadeiro Ferris, assistir seu irmão aprontar, contornar adversidades e ainda sair ovacionado a incomoda terrívelmente, assim ela passa o filme tentando Ferris.
Outra pessoa que também quer a cabeça do garoto é o Diretor do Colégio, Mr. Rooney. Assim como Jeanie, Rooney está mais que ciente das coisas que Ferris apronta, e tem como missão pessoal pega-lo no flagra e fazer com que ele reprove, segundo mais um ano no colegial.
Além da parte do desfile, uma das minhas cenas favoritas é a final, na qual Jeanie após passar o dia tentando desmascarar o irmão, aparece e salva o dia.
No fim, apesar de toda a diversão e emoção, a mensagem do filme é bem simples: Carpe Diem. Desde Sociedade dos Poetas Mortos a expressão virou clichê, mas ela prova uma coisa, há mais de 20 anos o mundo tem ido pelo buraco, o stress vem crescendo e dominando tudo e o profeta Ferris já dizia, “a vida passa muito rápido demais, e se você não parar de vez em quando para vivê-la, acabar perdendo seu tempo”.
Curtindo A Vida Adoidado
(Ferris Bueller’s Day Off, 1986)
Diretor: John Hughes
Roteiro: John Hughes
Elenco:
Matthew Broderick – Ferris Bueller
Alan Ruck – Cameron Frye
Mia Sara – Sloane Peterson
Jeffrey Jones – Ed Rooney
Jennifer Grey – Jeanie Bueller
Cindy Pickett – Katie Bueller
Lyman Ward – Tom Bueller
Edie McClurg – Grace, the Secretary
Charlie Sheen – Boy in Police Station
CURIOSIDADES
- John Hughes escreveu o script em seis dias
- O filme foi batizado em homenagem a um grande amigo de John Hughes, Bert Bueller
- Em 2006 Curtindo A Vida Adoidado foi votado o #10 na lista dos 50 Melhores Filmes de Colegial pela Entertainment Weekly
- Os atores John Cusack, Jim Carrey, Johnny Depp, Tom Cruise, Robert Downey Jr. e Michael J. Fox foram pensados para o papel de Ferris Bueller. Eric Stoltz fez uma audição para o papel de Ferris
- Atrizes como Ellen Barkin, Kim Basinger, Jamie Lee Curtis, Geena Davis, Carrie Fisher, Melanie Griffith, Linda Hamilton, Daryl Hannah, Anjelica Huston, Jessica Lange, Julia Louis-Dreyfus, Michelle Pfeiffer, Cybill Shepherd, Meg Tilly, Sigourney Weaver e Debra Winger foram pensadas para o papel de Jeanie
- Anthony Michael Hall recusou o papel de Cameron para evitar ser estereotipado, outro que recusou o papel foi Emilio Estevez
- O comediante John Candy fez um teste para Cameron Frye, mas produtores não o aceitaram por sentir que ele era velho demais para o papel. O escolhido foi Alan Ruck, que na época tinha 29 anos
- Ben Stein, que interpreta o professor de economia, se formou na Universidade de Columbia em 1966 com louvor em economia
- Apesar de terem interpretado irmãos após o filme Matthew Broderick e Jennifer Grey ficaram noivos
- Cindy Pickett e Lyman Ward, que fazem os pais de Ferris se casaram na vida real depois de gravarem o longa-metragem
- Charlie Sheen foi recomendado por Jennifer Grey após os dois terem filmados Red Dawn (1984) e para conseguir o efeito lesado necessário em sua cena na delegacia, se manteve acordado por mais de 48 horas antes de filmar sua participação
- A Ferrari GT250 1961 do pai do Cameron não era verdadeira, já que na época alugar uma Ferrari de verdade saia muito caro. Assim foram construídas três réplicas em fibra de vidro. Além disto o carro foi levemente modificado, o que fez com que os produtores do filme recebessem diversas cartas mal-educadas de amantes de carros, que acreditavam que se tratava de uma Ferrari verdadeira que realmente tinha sido destruída
- As imagens do desfile foram (cena de “Twist And Shout”) registradas durante a parada anual Von Steuben Day que acontece em Chicago
- Durante a parada, pessoas que não tinha nada a ver com o filme,como os operários na construção e os lavadores das janelas estavam dançando. Hughes achou aquilo tão espontâneo e divertido que pediu que os câmeras gravassem tudo
- A coreografia da cena na escada durante a parada foi tirada do vídeo de “Thriller”, do Michael Jackson
- A maioria das placas dos carros usados no longa são abreviações de filmes feitos por Hughes. Katie’s = VCTN (National Lampoon’s Vacation, 1983); Jeannie’s = TBC (The Breakfast Club, 1985); Tom’s = MMOM (Mr. Mom, 1983); Rooney’s = 4FBDO (Ferris Bueller’s Day Off, 1986). A exceção foi a placa da Ferrari, NRVOUS = nervous (nervoso)
- A fala que Ferris diz no banheiro do restaurante francês sobre a casa de Cameron ser muito bonita e fria, originalmente era para ser dita por Allison (Ally Sheedy) no filme O Clube dos 5 (The Breakfast Club, 1985) sobre sua vida em casa
- Originalmente, Ferris deveria dizer em um programa de rádio que antes de morrer ele gostaria de pilotar uma nave espacial, mas devido ao acidente com a Challenger a cena foi cortada do filme
- A cena dos créditos, quando Rooney entra no ônibus também foi cortada do filme. Ela deveria aparecer logo depois de Jeanie anunciar que havia chamado a polícia, e Roonie deveria encontrar no veículo um lugar para se esconder. Isto explica o fato de ainda ser dia e o porque o ônibus estar levando estudantes para casa as seis da tarde
- Diversas referências aos Beatles são feitas no filme: a mais obvia é o playback de Ferris de “Twist And Shout”. Além disso Ferris ainda cita a musica “God”, de John Lennon (“I don’t believe in Beatles, I just believe in me.”), e a camiseta do Detroit Red Wings do Cameron é uma homenagem a Paul McCartney and Wings, assim como a sua Epiphone Texan acoustic guitar (que Paul tocou em “Yesterday”)
créditos: fotos retiradas deste site
informações retiradas do imdb
8 comments Novembro 25, 2009






